Requisitos Funcionais e Não Funcionais: Guia com Exemplos
Entenda a diferença entre requisitos funcionais e não funcionais com tabela comparativa e 6 exemplos reais no mesmo sistema. Veja como aplicar já.
Toda vez que um projeto de software atrasa ou 'funciona mas ninguém usa', a raiz costuma estar em como os requisitos funcionais e não funcionais foram (ou não foram) definidos no início. Requisitos funcionais dizem o que o sistema deve fazer; requisitos não funcionais dizem como ele deve fazer isso — e essa distinção simples é confundida com frequência até por quem já trabalha com tecnologia.
O que são requisitos funcionais e requisitos não funcionais?
Requisitos funcionais e não funcionais são as duas categorias que descrevem o que um sistema de software precisa fazer e como ele precisa se comportar enquanto faz isso. Requisito funcional é toda ação concreta que o sistema executa ao receber uma entrada e devolver uma saída — cadastrar um cliente, calcular um frete, gerar um boleto. A IEEE Std 830, norma de referência para especificação de software, define exatamente isso: exigências funcionais são as ações fundamentais que devem ter lugar no software ao aceitar e processar as entradas e ao processar e gerar as saídas. Na prática, esses requisitos costumam ser escritos como "o sistema deve permitir X" — uma frase de verbo e ação, fácil de transformar em tela, botão ou rotina de código.
Requisito não funcional, por sua vez, não descreve uma ação, mas uma condição sob a qual essa ação precisa ocorrer. É a diferença entre "o sistema deve emitir nota fiscal" (funcional) e "a emissão da nota fiscal deve levar menos de dois segundos, mesmo com mil usuários simultâneos" (não funcional). Envolve desempenho, segurança, usabilidade, disponibilidade e confiabilidade — os atributos de qualidade que determinam se o sistema é bom de usar, e não apenas se ele
Requisitos funcionais x não funcionais: tabela comparativa
Depois de entender a diferença conceitual entre requisitos funcionais e não funcionais, o gestor precisa de um jeito rápido de identificar cada tipo na prática — sem depender de memorização. A tabela abaixo organiza os dois tipos por critério, seguindo os tipos que a QConcursos aponta como restrições sobre serviços e funções — tempo, segurança, usabilidade, desempenho e confiabilidade — todos alinhados ao vocabulário usado pela norma ISO/IEC/IEEE 29148. Ela serve como checklist: se o critério descreve uma ação do sistema, é funcional; se descreve uma qualidade dessa ação, é não funcional.
| Critério | Requisito funcional | Requisito não funcional | Exemplo | Como testar/validar |
|---|---|---|---|---|
| Tempo | O sistema deve processar um pedido | A resposta deve ocorrer em até 3 segundos | Confirmação de pagamento em um e-commerce | Teste de carga medindo tempo de resposta sob X usuários simultâneos |
| Segurança | O sistema deve autenticar o usuário | Os dados devem ser criptografados em trânsito e repouso | Login com senha e criptografia AES-256 | Auditoria de segurança e testes de penetração (pentest) |
| Usabilidade | O sistema deve exibir o catálogo de produtos | A navegação deve ser concluída em até 3 cliques | Busca de produto em app de delivery | Teste de usabilidade com usuários reais e métrica de cliques |
| Desempenho | O sistema deve gerar relatórios | O sistema deve suportar 1.000 acessos simultâneos sem degradação | Relatório de vendas em painel gerencial | Teste de stress e monitoramento de throughput |
| Confiabilidade | O sistema deve salvar o cadastro do cliente | O sistema deve ter disponibilidade de 99,9% ao mês | Cadastro de cliente em CRM | Monitoramento de uptime e testes de failover |
Essa estrutura resolve uma dúvida comum de quem estuda o tema para concurso ou para atuar como analista: requisitos não funcionais precisam ser mensuráveis, sempre. Um requisito como "o sistema deve ser rápido" não é testável — falta o número, o limite, a condição de aceite. É exatamente esse ponto que a IEEE 830 recomenda ao definir exigências de software: tanto requisitos funcionais quanto não funcionais devem ser verificáveis, e a norma orienta que ambos sejam escritos com linguagem imperativa e testável, como "o sistema deve".
Na prática, essa tabela também ajuda o gestor a cobrar do time técnico. Se um projeto de software não tem nenhum requisito não funcional documentado com número, é sinal de risco — e esse risco se conecta diretamente ao problema mais amplo tratado em ROI de IA: por que só 5% das empresas colhem resultado real, onde a falta de especificação técnica clara aparece como um dos motivos de projetos que não entregam retorno.
6 exemplos de requisitos funcionais e não funcionais no mesmo sistema
A maioria dos artigos sobre requisitos funcionais e não funcionais troca de exemplo a cada frase: primeiro um carrinho de compras, depois uma transferência bancária, depois um chatbot. Isso confunde quem está aprendendo, porque nunca fica claro como as duas categorias convivem dentro do mesmo produto. Para resolver isso, vamos fixar um único sistema fictício, chamado aqui de FoodExpress, um app de delivery de comida, e aplicar seis requisitos funcionais e seis requisitos não funcionais exatamente sobre ele.
Os requisitos funcionais do FoodExpress descrevem o que o aplicativo precisa fazer para o usuário completar um pedido do início ao fim. São eles: (1) cadastro de usuário, com nome, endereço e telefone; (2) adicionar item ao carrinho, permitindo escolher pratos e quantidades; (3) rastreamento de pedido em tempo real, mostrando a localização do entregador no mapa; (4) pagamento via Pix, integrado a um provedor de pagamentos; (5) avaliação do entregador, com nota de 1 a 5 estrelas após a entrega; e (6) histórico de pedidos, com a lista de compras anteriores disponível no perfil do usuário. Cada um desses itens corresponde à definição da norma IEEE 830, que trata exigências funcionais como as ações que o sistema deve executar ao processar entradas e gerar saídas — no jargão da própria norma, frases do tipo
Como escrever e testar um requisito não funcional mensurável?
Um requisito não funcional só tem valor prático se puder ser medido. Escrever "o sistema deve ser rápido" não orienta ninguém — nem o time de desenvolvimento, nem quem vai validar a entrega. O caminho correto é transformar a expectativa em uma frase com número, unidade e condição de teste, como "o sistema deve responder em até 3 segundos para 1.000 usuários simultâneos" ou "a busca de produtos deve retornar resultados em até 2 segundos em 95% das requisições". O analisederequisitos.com.br resume essa regra de forma direta: requisitos não funcionais devem sempre ser mensuráveis, porque tratam do "como" o sistema entrega o resultado, não do "o quê". Sem essa métrica, o RNF vira intenção — e intenção não passa em teste de aceite.
Uma diferença pouco discutida, mas decisiva na prática, é quem normalmente escreve cada tipo de requisito. Uma pesquisa do IFSP sobre o impacto de requisitos não funcionais de usabilidade constatou que o cliente é a principal fonte para os requisitos funcionais, enquanto para os RNFs o arquiteto de software assume o papel mais ativo na definição (IFSP, 2016. Isso explica por que tantos projetos deixam RNFs vagos: o cliente sabe descrever o que quer que o sistema faça, mas raramente tem repertório técnico para dizer quantos usuários simultâneos o sistema precisa suportar ou qual tempo de resposta é aceitável sob carga. Cabe ao arquiteto — ou a quem estiver documentando o projeto — traduzir a necessidade de negócio em um número testável, prática que também está na base de ferramentas de ROI de IA que dependem de especificação precisa para gerar retorno mensurável.
Para validar um RNF de desempenho, a prática mais comum é o teste de carga: simula-se o número de usuários simultâneos definido no requisito e mede-se o tempo de resposta real do sistema sob essa condição. Se o requisito diz "3 segundos para 1.000 usuários" e o teste aponta 5 segundos, o critério de aceite não foi cumprido — não há espaço para interpretação. O mesmo raciocínio vale para segurança (testes de penetração contra critérios definidos) e disponibilidade (monitoramento contra o percentual de uptime prometido). Documentar esse processo evita o tipo de retrabalho que compromete projetos inteiros de digitalização, tema também abordado em IA em escala no Brasil.
Requisitos de negócio, de usuário e de sistema: qual a diferença?
Um erro comum de quem está começando a mapear requisitos funcionais e não funcionais é tratar tudo como se estivesse no mesmo nível de abstração. Institutos de referência em análise de negócios, como o IIBA (International Institute of Business Analysis) e o IREB (International Requirements Engineering Board), organizam os requisitos em três camadas distintas: negócio, stakeholder (partes interessadas) e solução. É só dentro da camada de solução que aparecem, de fato, os requisitos funcionais e não funcionais — o par que a maioria dos gestores conhece, mas cuja origem raramente é explicada. Essa hierarquia é citada, ainda que de forma breve, em análises que cruzam requisitos de sistema com casos aplicados, como a que a Gigante Consultoria fez sobre o ChatGPT, reforçando que RF e RNF não nascem soltos: eles decorrem de necessidades de negócio e de expectativas de quem vai usar o sistema.
O requisito de negócio é o nível mais alto: descreve por que o projeto existe, geralmente ligado a uma meta estratégica, como reduzir custo operacional ou aumentar a retenção de clientes. Ele não fala sobre telas nem sobre banco de dados — fala sobre resultado. O requisito de stakeholder (ou de usuário) traduz essa meta para a perspectiva de quem interage com o sistema: um gerente de operações, por exemplo, pode precisar
Radar da semana
- Pesquisa do IFSP detalha o papel do arquiteto de software na definição de requisitos não funcionais de usabilidade
- Estratégia Concursos detalha como o tema é cobrado em provas de TI da Caixa Econômica Federal
- QConcursos comenta questão sobre requisitos de sistema alinhada à norma ISO/IEC/IEEE 29148
- Gigante Consultoria aplica o conceito de requisitos funcionais e não funcionais a um caso prático do ChatGPT
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre requisitos funcionais e não funcionais?
Requisitos funcionais descrevem o que o sistema deve fazer, como cadastrar um usuário ou processar um pagamento. Requisitos não funcionais descrevem como o sistema deve se comportar ao fazer isso, como o tempo de resposta ou o nível de segurança exigido.
Requisitos não funcionais precisam ser mensuráveis?
Sim, um requisito não funcional bem escrito sempre traz um número ou critério verificável, como 'responder em até 3 segundos' em vez de apenas 'ser rápido'. Sem essa medida, é impossível testar se o sistema atende ao requisito.
Quais são os tipos mais comuns de requisitos não funcionais?
Os tipos mais citados por normas como a ISO/IEC/IEEE 29148 são desempenho, segurança, usabilidade, confiabilidade e disponibilidade. Cada um deles vira um critério de qualidade que o sistema precisa cumprir, independente das funcionalidades específicas.
Depois de entender a diferença entre requisitos funcionais e não funcionais, o próximo passo é documentá-los de forma estruturada antes de qualquer linha de código ser escrita — é isso que evita retrabalho e projetos que 'funcionam mas não entregam valor', tema que também aparece em ROI de IA: por que só 5% das empresas colhem resultado real. Quem quer transformar uma necessidade de negócio em documentação técnica completa, com requisitos funcionais e não funcionais bem definidos, pode organizar esse processo com apoio de agentes de IA em espacoia.com.br.